NOVO TEMPO
Pendurado
em fio de prata
este viver desfiado!
Hesitação que se desata...
Tempo a cair
em relógios de pedra... e desertos.
Vidas que hão-de vir.
Meus dias de sol... abertos.
Amanhecem
flores
nos olhos dos cavalos cor de vento...
fenecem
sombras e dores
no sussurro d'um juramento.
Erguem-se deuses e luas.
Altares. Catedrais.
Em brancuras de manhãs nuas
gritam as garças reais.
Desfalecem
noites e prisões
no abrir de sons e maresias...
crescem
aromas de madressilva... cintilações
a enfeitar céus e fantasias.
Pendurado
em fio de prata
nasce o tempo renovado
sem calendário nem data.
Matriz
d'outro mundo! D'outra luz...
excelso! Raiz
d'um viver sem cruz!...
de Maria Emília
em "Ao som do amor"

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