I
Tempo de silêncio...
com cheiro a chuva, a escorrer pelas esquinas das casas e dos muros.
Silêncio...
a cantar pelos corpos das árvores, pela macieza do veludo dos pássaros... a envernizar as pedras e os musgos.
Este silêncio que me inebria, fascina e faz voar...
voar tesouros inemagináveis, vivos...
Voar mais além...
Almas, como eu, feitas de Deus,
de mil cores e aromas.
Estrelas descidas do céu e plantadas neste tempo sagrado do saber e do amor.
Este silêncio...
esta chuva
a derramar sementes de futuro, no ventre aberto da terra.
Mãe-Terra.
Que sofre, que chora os seus filhos e, que em cada aurora se oferece, plena, aos famintos, passageiros vendados,
por opção!
Este silêncio a gritar pelos caminhos...
a rasgar cegueiras, medos, ignorâncias...
este silêncio,
que não é mendigo, mas estende a mão, por entre o pó dos dias e dos quereres.
Este silêncio...
cantado pelos deuses!
Janeiro/2014
MARIA EMÍLIA


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